terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Certificação de 15 de Dezembro

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Na sequência de outras situações semelhantes o CNO da Escola Secundária Campos Melo continua a desenvolver o seu trabalho de promoção e dinamização da iniciativa das Novas Oportunidades junto dos clubes e dos jogadores de futebol e futsal.
Desta vez, parte da equipa de futsal da Associação Desportiva do Fundão foi certificada com o nível B3 no dia 15 de Dezembro.
Cada um dos atletas apresentou todo o trabalho desenvolvido de modo muito personalizada apesar de terem como pontos comuns a profissão e a paixão pela modalidade.
O Astrogildo Aparecido Oliveira Macedo, conhecido no mundo do futebol por Buiu, explorou a sua paixão pelo cinema e o espaço que ocupa no seu quotidiano. Graças à sétima arte sonha e aprende com as histórias que vê tratadas no grande ecrã.
O Bruno Cézar da Silva Moreira referiu que a sua grande paixão é viajar. Durante a sua apresentação narrou algumas das suas viagens, entre as quais a Amesterdão, Miami, Irlanda e Marrocos.
O Diego Garcia Balbo realçou a especificidade da posição que ocupa no campo, guarda-redes: “é o primeiro a chegar à superfície de jogo, o último a sair e, no fim, é o que ganha menos.” Neste âmbito explicou como existe diferenças na escola portuguesa e a brasileira. A título de exemplo a primeira advoga que para defender uma bola rasteira se deve utilizar o pé enquanto a segunda privilegia a mão. 
O Jander Ferreira Praciano explorou como tratou de todo o seu processo de legalização e as dificuldades que sentiu para trazer para junto de si toda a família. O seu grande sonho é ser feliz com a família junto de si, daí ter apostado numa carreira como profissional. Esta opção foi tomada quando era ainda muito novo e percebeu que ganhava mais como júnior do que o seu pai numa profissão comum.
O Tiago Simões Netto Pinheiro falou do seu passado e dos seus ascendentes italianos e de portugueses. Um bisavô é natural de Trás-os-Montes. Depois apresentou a sua localidade, São Paulo, e explicou quão desconhecida ela é para quem não a visitou.
No final da sessão todos os formadores e o avaliador externo, Dr. Leopoldo Rodrigues realçaram a postura humilde demonstrada pelos formandos ao longo de todo o processo e a coragem para o realizarem. Apesar de todos terem uma formação escolar brasileira que permitiria obter uma equivalência de nível secundário optaram por frequentar um processo de nível básico com o intuito de desenvolverem as suas competências no domínio da língua portuguesa.
Por sua vez, Bruno Cézar, em nome de todo o grupo, agradeceu o esforço desenvolvido por toda a equipa pedagógica e amabilidade que o profissional RVC teve em promover a iniciativa junto do clube que representam, a Associação Desportiva do Fundão, esta iniciativa. Conforme referiu “já tínhamos conversado entre nós sobre a hipótese de voltar aos estudos mas faltava aquele empurrãozinho…”

O Profissional de RVC Sérgio Mendes



Certificação de 14 de Dezembro

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No dia 14 de Dezembro foram a júri mais cinco formandos de diversas itinerâncias do Centro de Novas Oportunidades Campos Melo.
Todos os elementos do grupo apresentaram as competências demonstradas no seu PRA através de uma apresentação em PowerPoint.
A primeira candidata, Otília Maria Jesus Rocha Prior realçou, entre outros aspectos, a sua rica e diversificada experiência profissional - desde ajudante de cozinha, empregada de lanifícios, comércio e bebidas alimentares, até à função de responsável na secção de líquidos de uma superfície comercial. Expressou ainda a importância do associativismo e reflectiu sobre o seu decréscimo. A candidata explanou também sobre um tema que bem domina: os vinhos, traçando uma panorâmica dos saberes adquiridos ao nível das caves, produtores, castas e sugerindo combinações de vinhos com alimentos (enogastronomia) para esta época natalícia. Sublinhou, por último, a vontade de se continuar a formar e de aprender ao longo da vida (frequenta uma UFCD de língua estrangeira - Inglês).
O adulto, Francisco Santos, destacou a importância das experiências que adquiriu aquando da sua estadia na Suíça.
O terceiro candidato, João Leitão Lopes focou as aprendizagens adquiridas nas quatro áreas em que teve formação, realçando também as competências que adquiriu ao longo da sua vida profissional, focando ainda na sua apresentação algumas medidas a implementar para lidar com situações de stress.
Por sua vez, a candidata Graziela Antunes focou as suas actividades de tempos livres, realçando aspectos patentes na sua localidade (Cantar-Galo).
A quinta candidata, Conceição Casteleiro, focou as actividades que realiza no âmbito dos seus tempos livres, focando a importância da leitura e explicação da Bíblia na sua vida.
A todos os candidatos as nossas felicitações.

As Profissionais de RVC Olga Filipe e Vera Pereira

Certificação de 7 de Dezembro

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A 7 de Dezembro, tivemos mais uma sessão fora do comum, pois teve um único candidato.
O único candidato foi, por conveniência deste, devido aos seus afazeres profissionais, Diogo Manuel dos Santos Paias. O Adulto começou por fazer a sua apresentação em língua inglesa. Posto isto, apresentou resumidamente, através de PowerPoint, o seu portfólio reflexivo de aprendizagens, ao qual deu o título de “Movimento Perpétuo”. O percurso profissional foi a parte fulcral da sua apresentação, tendo escolhido como tema “Gestão do activo humano das empresas”. A terminar, o Adulto disse estar muito satisfeito com o processo de RVCC e com a equipa que o acompanhou, pois desta forma está mais confiante quanto aos seus projectos futuros, que são a entrada, já em Janeiro, no curso superior de Gestão.
O avaliador externo, Dr. Américo Mendes felicitou o candidato quanto à riqueza da sua história de vida, e ao modo como este candidato encarou os vários momentos de mudança que foram ocorrendo, ao longo do seu percurso profissional

A Profissional de RVC Vera Pereira

Certificação de 3 de Dezembro

 

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No dia 3 de Dezembro o CNO da Escola Campos Melo realizou uma sessão de júri diferente. A sessão iniciou-se no Estabelecimento Prisional da Covilhã, continuando depois no Auditório da Escola Secundária Campos Melo (ESCM).
Depois de há cerca de quatro meses ter obtido a sua certificação de nível B2, o formando José Alberto Melo concluiu o processo de nível B3. Durante a sua apresentação referiu a importância da escola na sua vida. Desde que ficou na condição de recluso, a escola tem sido uma das poucas oportunidades que tem para manter o contacto com a realidade exterior ao mesmo tempo que aprofunda conhecimentos, principalmente em áreas como a de linguagem e comunicação.
Já no auditório da ESCM, o candidato, Francisco Oliveira, realçou, entre outros aspectos, as aprendizagens adquiridas no seu percurso profissional e as actividades que gosta de desempenhar nos seus tempos livres, tendo ainda focado a importância do associativismo.
A candidata Maria Mateus, evidenciou os conhecimentos adquiridos nas quatro áreas em que teve formação, nomeadamente, Matemática para a Vida, Cidadania e Empregabilidade, Tecnologias de Informação e Comunicação e Linguagem e Comunicação.
A candidata Olga Ramos destacou a sua passagem pela indústria dos lanifícios, abordando também a importância dos tempos livres no seu bem-estar.
Por último, o candidato César Machado evidenciou diversas aprendizagens adquiridas ao longo da sua vida, nos contextos pessoal, profissional, institucional e macro-estrutural, tendo reflectido bastante sobre essas mesmas aprendizagens, como especial realce sobre as que dizem respeito ao seu percurso profissional.
A finalizar a sessão, o Avaliador, Dr. Leopoldo Martins sensibilizou todos os presentes para a importância da valorização pessoal e aprendizagem contínua, convidando todos os presentes a procurar oportunidades de enriquecimento pessoal, escolar e profissional, apoiando-se nos exemplos de vida e de luta dados por alguns dos candidatos. Frisou ainda que o sucesso de cada candidato dependerá muito do empenho e da determinação com que cada um procurar as oportunidades e investir na sua própria valorização.

Os Profissionais de RVC Vera Pereira e Sérgio Mendes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sessão Novas Oportunidades a Ler +

               
            As formadoras de Cultura, Língua e Comunicação, Drª Adélia Rocha e Drª Maria da Luz Belizário, realizaram durante o mês de Dezembro, na itinerância da Boidobra, actividades integradas no projecto “Novas Oportunidades a Ler+”.
            Assim, foi feita uma apresentação, com a leitura e análise, de obras de Franz Kafka, Rui Zink e Vergílio Ferreira. O público, constituído for adultos do processo RVCC de nível Secundário, esteve bastante colaborante, interessado e participativo, o que fez das sessões momentos muito agradáveis de partilha de ideias e de aprendizagem.
            Foi com muito contentamento que as formadoras viram reconhecida como uma mais-valia o conjunto de actividades desenvolvidas, uma vez que consideram a leitura essencial para o desenvolvimento pessoal e intelectual do ser humano.


Drª Adélia Rocha
Drª Maria da Luz Belizário

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O papel da escola na revitalização da língua portuguesa


A língua portuguesa é, por diversas razões, uma das línguas que tem um léxico mais rico.
De entre outras razões, destacam-se as históricas, sociais e culturais. Logo na sua origem, encontramos na língua portuguesa influências do latim, do grego e árabe, maioritariamente. A partir do séc. XV, foi enriquecida quando Portugal deu início ao processo de globalização. Com este processo surgiu uma oportunidade de expansão e transformação da nossa língua, tendo sofrido adaptações pelos quatro cantos do mundo a ponto de ser, neste momento, língua oficial e, em alguns casos, materna de vários estados independentes.
O que outrora fora uma oportunidade surge agora como uma ameaça. Na verdade, os novos padrões sociais que valorizam o hedonismo, o relativismo, o consumismo, e apresentam o mundo como uma realidade volátil, parecem fazer perigar a língua portuguesa, que surge actualmente, numa era da informação e num mundo em que tudo se compra se vende, a tentar ganhar o seu espaço e a lutar pela sua sobrevivência.
Todavia, a concorrência é feroz. A oriente, o mandarim assume-se progressivamente como a língua materna mais falada no mundo enquanto a ocidente o inglês conquista “praticantes” que o adoptam como segunda língua. O inglês apresenta-se como a língua mais simples e facilmente compreensível, talvez por isso seja frequente ver candidatos em concursos televisivos de música, como o Ídolos, por exemplo, a preferir cantar canções em inglês em detrimento da música na sua língua materna. De facto, a compreensão do inglês torna-se mais simples pois que a mesma é composta por um vocabulário mais restrito do que o português, já que naquela a mesma palavra pode ter vários significados.
Um dado que também não podemos ignorar é o de esta ser a língua materna de algumas das economias mais fortes dos quatro continentes, a saber: América – EUA e Canadá, África – África do Sul, Europa – Reino Unido e Oceânia – Austrália e Nova Zelândia. Qualquer pessoa, mesmo a menos atenta, percebe que a economia condiciona cada vez mais domínios na sociedade. As pessoas perderam rosto e tornaram-se um número, sem emoções, sentimentos ou suor. As mesmas têm de fazer mais em menos tempo para assim atingirem as suas metas que são, na realidade, outros números. Assistimos a estes factos nas empresas, no desporto e até na educação. Para tal importa simplificar, uniformizar e facilitar. Algumas empresas adoptam vocábulos estrangeiros para identificar os seus produtos e facilitar a posterior internacionalização; jornais desportivos efectuam traduções quase automáticas de notícias internacionais e no ensino surgem sebentas que facilitam o estudo. Estes comportamentos têm reflexos sociais. Por ser mais moroso e, por vezes, dispendioso, o “AFIRMATIVO” está a dar lugar ao “OK”, em mensagens enviadas via sms ou mail.
Analisando as alterações provocadas pela mudança de paradigma podemos levantar a dúvida se a língua portuguesa não está a morrer mas sim a adaptar-se? De facto continuamos a comer e alimentarmo-nos (comunicar) dela, mas em vez das casas de pasto vamos aos restaurantes. Não estaremos a assistir a uma anglicização, ou outro processo semelhante, da língua portuguesa? É certo que as línguas estão a reinventar-se constantemente. Foi assim que, como refere Saramago no seu texto o latim deu origem ao Galaico-Português e este ao Português. O que importa neste momento é reflectir sobre o futuro… qual será? Não sabemos… Sabemos que, se nós queremos defender um dos elementos da identidade lusa, teremos de fazer algo.
Primeiro teremos de aprender verdadeiramente a língua portuguesa. Perceber que o Bem-haja que Saramago utilizou para agradecer a atribuição do Prémio Nobel da Literatura não pode ser traduzido por um simples Thank you! É aqui que a escola tem um papel fundamental. Para tal, deve ensinar não só no domínio do saber-saber como do saber-aprender. A oferta de conhecimento é bem diferente de há algumas décadas atrás. Neste momento, através de um click temos acesso a uma panóplia de informação, alguma dela tratada mas não devidamente trabalhada. Esta informação que surge organizada em forma de sebentas ou resumos apresenta-se-nos decapitada do que é considerado de superficial mas é, no fundo, o que de mais belo e humano a língua tem para oferecer, a imaginação e o seu carácter subjectivo. Aquilo que não está escrito, mas é dito. A escola deve ensinar os aprendizes, jovens ou adultos, a valorizar as potencialidades da informática sem ignorarem que ela é um meio e nunca o fim exclusivo de atingir o conhecimento. Aliás esse pode ser encontrado de múltiplas formas e uma delas é através dos livros. Para tal, o livro deve ser apresentado como algo apelativo, agradável que, em muitos casos, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Reconheça-se que a descoberta do gosto pela leitura pode ser algo doloroso mas que, à medida que nos habituamos, se torna viciante.
Ao lado dos defensores da língua portuguesa devem ainda estar os fazedores de opinião e todos aqueles que diariamente comunicam, escrevem e são lidos. Estes devem ser libertos dos grilhões e dos chavões quotidianos. Devem ter a liberdade para comunicar, seja em Português do Brasil ou no que resulta da crioulização moçambicana ou cabo-verdiana. Não é o que tem estado a acontecer com alguns dos jornais mais lidos, como o Record ou o Correio da Manhã, a aderiram ao acordo ortográfico.
Penso que devemos recusar que o processo de globalização redunde no de uniformização ou de subordinação à língua inglesa. Aliás, este deve respeitar as minorias e as especificidades. Neste sentido, a defesa da língua portuguesa não deve passar pelo caminho errado. Embora compreenda que o Acordo Ortográfico vise a sobrevivência da língua portuguesa através da sua uniformização nos quatros cantos do globo, não creio que este seja o melhor caminho, antes pelo contrário. A mais-valia da língua portuguesa reside na sua diversidade e particularidade que fica deste modo condicionada.
Mas é uma luta que não se afigura fácil. Todos temos de estar preparados para enfrentá-la, nas empresas, nas escolas, na comunicação social e até na rua e sermos (auto) apelidados de loucos e/ou corajosos. Mas este é o fado dos portugueses, juntar a loucura com a coragem. Bem sei que neste processo corremos o risco de perder, de termos saudade do que era nosso, de encontrar pedras no caminho mas como referiu Fernando Pessoa, guardo [as], [para] um dia construir um castelo, o da língua portuguesa enriquecida e com mais vigor.  

Sérgio Miguel Cardoso Mendes
Profissional RVC